Pedra da Boca – Contemplação e ação.

Texto e fotos por Ricardo Morais.

 Se prepara que lá vem textão…

Uma bela manhã, com poucas nuvens no céu e a brisa matutina soprando a aventura em nossos ouvidos, um grupo de oito pessoas em dois carros populares, motor mil (pois é, nem sempre é necessário um veículo 4×4 para aventuras).  Assim iniciamos a nossa ida para o Parque Estadual da Pedra da Boca.

Na bagagem, além da ansiedade e da adrenalina, levamos bastante água, protetor solar, roupas leves (com proteção solar), chapéus e bonés, calçados resistentes e muita expectativa, daquela boa de se ter.

Então vocês podem pensar, mas e o equipamento de rapel, e a comida? Bem, informo a vocês, pretendentes a aventureiros, que atualmente não precisamos mais gastar uma pequena fortuna com cadeirinha, mosquetões, freio 8 e similares (sim, sou desse tempo… e me lembro muito bem do custo de ser aventureiro eventual… Ainda bem que as coisas mudam). Hoje em dia há empresas especializadas em oferecer suporte a grupos como o nosso, aventureiros eventuais, que – infelizmente – não dispõe de tempo e recursos para manter a aventura fluindo 24 horas por dia (sim, já fiz isso… Bons tempos…).  O valor dessa assessoria é compatível com os bolsos da maioria da população brasileira, mesmo em tempos de crise e, isso eu garanto, é muito mais barato que adquirir seu próprio equipamento para vê-lo acumular poeira na maior parte do tempo. Além disso, esses profissionais são instrutores de rapel e de outras práticas de aventura, além de técnicos em segurança, e isso faz toda a diferença.

Mas vamos voltar ao relato da nossa aventura por terras paraibanas (fronteiriças com o Rio Grande do Norte).

O Parque Estadual da Pedra da Boca é um parque estadual, situado na Paraíba (Google Maps – Parque Estadual da Pedra da Boca), bem pertinho da fronteira com o RN. A localidade conta com uma boa estrutura de atendimento ao turista, tanto para uma estadia de alguns dias, como para o famoso “bate-e-volta”, contando, em um raio de poucos quilômetros, com pousadas que vão desde as rústicas, até as mais sofisticadas (Pesquisa no google sobre pousadas).

A estrada, partindo de Natal/RN é boa e o trajeto que fizemos pode ser visto nesse link (Google Maps – Roteiro).  Levamos aproximadamente 90 minutos, a uma média de 100km/h, considerando todos os pontos de limitação de velocidade (já peguei engarrafamentos em Natal e Recife que duraram mais que isso).

Um dos melhores pontos de apoio (o mais frequentado) é a instalação do “Seu Tico” – Uso o termo “instalação”, pois lá há uma pequena pousada, um camping e um restaurante, que também serve de local para pequenos eventos.

Seu Tico (Francisco Cardoso de Oliveira) é um dos mais antigos moradores e guias da região, de uma simpatia só, coleciona amizades a cada grupo que inicia as aventuras por sua “instalação”.  Mas como havíamos fechado um pacote com uma empresa especializada em serviços de rapel e turismo de aventura, dessa vez não contamos com os serviços do Seu Tico, nos limitando a utilizar o restaurante como base, descanso e para comer também (recomendo a galinha guisada e picolé de sobremesa).

O nosso pacote incluiu os serviços de guia, o material de rapel, instrutoria de rapel e muita simpatia, tudo isso a um valor bastante interessante para nós (calma, ao final do texto coloco a planilha de custos).

A equipe da empresa esteve a nossa disposição, nos acompanhado e orientando por aproximadamente 8 horas seguidas, de muitas trilhas, subidas e rapel, além de orientações, histórias e causos, piadas e todo tipo de simpatia, que se percebiam muito além das obrigações profissionais.  Esse pessoal realmente gosta do que faz.

Iniciamos a aventura pela trilha a direita de quem entra no parque, logo depois do imponente pé de umbu, árvore típica da região (recomendo fortemente provar o suco de umbu ou a fruta in natura), seguimos por aproximadamente 01 km de área aberta até nos depararmos com as primeiras formações rochosas, mais algumas pequenas subidas e descidas, incluindo abrigos similares a cavernas, localizados no encontro de grandes blocos de rocha, mais um pequeno trecho aberto e chegamos a uma área conhecida como “escolinha de rapel”, uma grande rocha (não vou passear por termos técnicos, ok), com aproximadamente 80 metros de altura e inclinação de aproximadamente 40 graus no trecho maior e de aproximadamente 90 graus em um trecho menor.  A equipe de instrutoria e logística preparou todas as amarrações, nos forneceu os equipamentos individuais e deu as orientações iniciais (tá, não sou iniciante, mas o fui na ocasião, exatamente para avaliar os cuidados e técnicas da empresa que estava nos prestando o serviço… E eles passaram com nota máxima).

 

Depois de algumas horas treinando o básico, inclusive no trecho de 90 graus (uhuuu!!), com todos felizes e satisfeitos, fomos até outras formações rochosas por uma trilha de incrível beleza cênica, com alguns pontos de parada para contemplação, descanso e alguns momentos de pura zoeira.  Retornamos até o início da primeira trilha (lembram-se do pé de umbu?) e de lá fomos até a famosa “Boca” da Pedra da Boca, uma subida tranquila, um pouco cansativa para atletas fim de semana, mas nada que pequenas paradas para descanso não resolvam.

Só digo uma coisa, vale a pena sim!  A visão lá de cima é fantástica e a sensação da conquista é mais ainda.  De baixo não se tem noção da amplidão da “Boca”, tem que ir lá mesmo!

Os detalhes do caminho encantam, são pequenas plantas com flores e folhas que, ao mesmo tempo, se misturam e se tornam pequenos destaques no caminho, num mimetismo que engana e encanta os olhos.  A fauna também dá as caras principalmente através de uma boa variedade de pássaros, lagartos e alguns insetos, além de ser perceptível, por rastros e sinais, a presença de mocós, raposas, tatus e outros pequenos mamíferos, que fogem ao menor sinal de movimento, portanto não espere vê-los.

Uma vez no topo, vale dedicar alguns momentos ao simples exercício da contemplação e, para quem quiser exercitar a coragem, fazer o pêndulo, um serviço a parte, onde o visitante é colocado em movimento pendular no sentido perpendicular ao abrigo na rocha, indo e vindo do interior da cavidade ígnea para a imensidão celeste, experimentando a liberdade e a emoção de um inesquecível voo sem asas (tá, exagerei na poética… mas é desse jeitinho mesmo… rsrs). Ah, dica número 1: Não gaste toda bateria e memória nas trilhas e rapel, deixe o suficiente para documentar tanto a subida, como os momentos lá em cima e, se possível, inclua uma bateria externa na sua bagagem.

Voltando ao relato, não ficamos muito no topo, logo iniciamos a descida, pois havia muito o que fazer no pouco tempo de um “bate-e-volta” como o nosso.  Já na base de apoio do Seu Tico, descansamos por alguns minutos, comemos e saímos de carro para conhecer outros pontos do Parque, como o Santuário de Nossa Senhora de Fátima e o painel de pinturas rupestres, cenários que também valem muito a visitação.

Ao final da tarde, saímos com a certeza de que ainda falta muito para conhecer, ou seja, apenas um bate-e-volta não é suficiente para se aventurar por todas as atrações do Parque, colocando-o como um daqueles lugares para onde se volta periodicamente, seja para exercitar o espírito de aventura, seja para conhecer coisas novas.


Resumo dos custos:
Combustível para ida, volta e deslocamentos na área = aproximadamente meio tanque
Alimentação e água = Mais ou menos R$ 50,00 por pessoa
Serviços de guia e instrutoria de rapel, com equipamento incluso = R$ 60,00 por pessoa (favor entrar em contato com eles, para verificar os valores atuais)
Extras = R$ 30,00 por pessoa


Empresa prestadora de serviços de guia e rapel
Facebook Climb Adventure
Instagram Climb Adventure


Ricardo Morais é o suporte técnico e um dos blogueiros do “destinosdorn.com”, apaixonado por turismo de aventura, fotografia, poesia, tecnologia, educação, design, direito e meio ambiente, numa mistura de práticas, graduações e pós graduações meio louca de entender, mas que proporciona resultados interessantes.

Serra do Cuó/RN, um lugar de contemplação e aventura

Marília Medeiros
Professora do Curso de Turismo da UERN – Campus Natal

Tamires Jales Nunes
Aluna do Curso de Turismo da UERN – Campus Natal

IMG_20150524_131857431A Serra do Cuó pertence ao município de Campo Grande, que está localizado a 265 km da capital Natal no Estado do Rio Grande do Norte.
O local ficou conhecido por “Talhado dos Americanos”, por ter servido como ponto de observação pelos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. O ponto mais alto da serra tem cerca de 500 metros de altura, sendo possível avistar não só o município de Campo Grande, mas as cidades de Mossoró, Caraúbas e Triunfo Potiguar, na região oeste do estado.
A vegetação da serra é composta pela caatinga, e animais como tatupeba e tamanduá habitam a fauna local.
A Serra do Cuó proporciona ao seu visitante, o turismo de aventura, com trilhas, escaladas e acampamentos, sendo possível no meio da jornada relaxar nas águas da Cachoeira do Tapuio.
Campo Grande possui cerca de quatro 2f89260c-ac40-4433-ba10-a3f1d5a536e7pousadas e conta com guia que leva os turistas com segurança para a trilha ecológica na serra. A visitação pode ser feita durante todo o ano, porém no mês de julho a cidade comemora a tradicional Festa de Santana, um exemplo de cultura popular para incrementar a viagem.

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Telefones para contato:
Pousada Bahia (84) 99604-8444/3362-2410;
Hotel de Dona Madalena (84) 99920-8990;
Thiago Gondim, Coordenador Municipal de Comunicação (84) 99710-6724.