UMA VISITA AO MUSEU

Carla Lenes Vieira de Araújo
Aluna do 3º Período do Curso de Turismo UERN Natal

Participamos da 16ª Semana de Museus: Museus Hiperconectados – Novas abordagens, novos públicos, no Museu Câmara Cascudo, para acompanhar a visita mediada da Exposição: “Póstumos – Arqueologia do descaso”, fruto da obra do fotógrafo, Numo Rama.

Durante o ano de 2006, o artista frequentou as dependências da Penitenciária Dr. João Chaves, fazendo inúmeros registros com o objetivo de tentar compreender como um ser humano poderia se reinventar vivendo em uma cela. Nesse mesmo ano, a penitenciária foi demolida e em 2010 deu lugar ao Complexo Cultural da Zona Norte de Natal. Em 2011, no mesmo terreno, foi fundada a sede da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN em Natal. A exposição fotográfica é uma mostra da realidade vivenciada dentro desse presídio, o qual teve sua construção iniciada em 1953 e finalizado e inaugurado somente em 1968.

Logo após, pudemos visitar outras exposições tais como: “Aves e evolução – Uma perspectiva histórica”, “Anatomia comparada”, “Icnologia – A vida passou por aqui”, “Paleontologia” e “Engenhos: Tradição do açúcar”.

Enquanto espaço de exposições, o local está bem estruturado, com salas amplas, com ótima disposição das artes, de forma que dá para termos uma boa circulação durante a visita.

Quanto ao potencial turístico, o museu é uma excelente opção, visto que após a reforma ficou muito atrativo. É um ambiente climatizado, com iluminação adequada a cada espaço, como também, utiliza-se de recursos interativos, o que faz a grande diferença para os visitantes, tira aquela ideia de que os museus têm “cara” de coisa velha e mal cheirosa. É um museu que está se modernizando e a hiperconectividade seduz, fazendo o público interagir com o ambiente, proporcionando novas sensações.

Tivemos como mediadora, a também fotógrafa e mestranda pela UFRJ, Mariana do Vale, que segundo ela, o artista quando criança, visitava seu próprio pai em um presídio, a partir dessa experiência quis retratar a realidade dos que viviam dentro do presídio João Chaves. A exposição também aborda os temas como as dificuldades do Sertão, a política e a figura da mulher dentro do referido presídio. Uma experiência muito marcante para quem visita é atravessar uma espécie de túnel muito estreito que nos leva a sensações das mais variadas possíveis, desde o medo ao pânico, sensação de angústia de quem viveu no interior da João Chaves. Além das fotografias, o artista também fez uso de vídeo, mostrando a sua percepção da vida no referido presídio. Ao final, a mediadora, nos provocou a opinarmos sobre a nossa visão de algumas fotos do acervo.

Em relação aos aspectos de iluminação e imagens foram bem executados, adequados ao ambiente da visita, porém, o som de fundo poderia ser um pouco mais marcante.

É uma exposição de grande relevância por se tratar de uma parte da nossa história que não está contada nos livros didáticos, é uma realidade que muitos potiguares desconhecem. Com essa obra, esses registros darão a oportunidade a quem visita, de se emocionar, ter sensações e formular suas próprias conclusões.

A visita guiada é uma forma de levar mais informações ao visitante, além de poder observar cada elemento da mostra, agrega-se parte da história que não está à vista, curiosidades e etc. Em relação à importância para a disciplina, é mais uma maneira de apresentar o conjunto de informações de determinada obra. Para o curso é uma experiência enriquecedora porque possibilita a nós, discentes, a oportunidade de vivenciar a experiência enquanto turistas, não como turismólogos. Há muito tempo que a nossa cidade merece um museu moderno, que utilize formas de interação cada vez mais que aproxime os visitantes desses espaços. Dessa forma, aumentará o interesse das pessoas, não só do nosso Estado, mas, sim, de todos aqueles a quem possa interessar. Requerendo também uma ampla divulgação e formação de parcerias com o setor turístico, com a sociedade de forma geral, incluindo no calendário cultural as informações sobre esses e outros espaços culturais, para que possa alcançar o público interno e externo.

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